quinta-feira, outubro 31, 2024

Palavras pesadas

Há muito pouca consciência e lucidez no peso ou leveza das palavras que usamos.
Ouve-se dizer, tantas vezes : é preciso lutar contra a violência!
Ora isto dá:
é preciso (palavra forte de grande pressão)
lutar (não é preciso dizer mais nada, pois não?)
contra (bla bla bla)
a violência (máinada!)

Ou seja, toda a estrutura mental que gera esta frase, incita a uma maior violência ainda!
Portanto, como as palavras são para se usar, para que o conceito incluído na frase seja eficaz, que tal assim?

" vamos agir a favor da paz!"

Isto para quem realmente sente essa paz, caso contrário, então, a primeira frase faz todo o sentido: existe pressão, luta, ir contra e, finalmente, violência.
Nada muda, porque as palavras pesam ... ou não.
Depende de como as usamos.

(Texto publicado originalmente a 23 de Outubro de 2007)

Amar Lisboa

Sou serrana.
As minhas raízes cresceram profundas, nas rochas e no granito da Serra da Estrela.
A minha nostalgia está situada algures no litoral norte.
Mas, na minha vida, tudo mudou em 1998.

Hoje, 8 de Setembro, dia do meu aniversário, saúdo Lisboa - a cidade que me acolhe há, exactamente, nove anos. Vim sozinha, à procura de sonhos por realizar. Nem sempre Lisboa foi simples e fácil. É fácil amá-la, sim.
Aprendi a amá-la há muito tempo.
Para mim, sempre foi fácil amar Lisboa.
O Chiado, a Graça, a Baixa, Alfama, o Castelo, o Mercado da Ribeira, a Feira da Ladra abraçam a minha vida.
Nasci longe e moro em Lisboa - a cidade que tão facilmente se deixa amar.


(Publicado originalmente a 8 de Setembro de 2007)

Strange....

É estranho, este sentir..
Não me lembro de alguma vez me ter sentido assim... vazia!
Não é de todo desagradável, é definitivamente diferente.

Não sei o que fazer, não sei que mais dizer.
Simplesmente, não sei.
É curioso como "não saber" nos deixa espaços mais amplos, territórios desconhecidos, mundos, às vezes, aterradores.
Dizer e sentir "não sei", ou como disse o filósofo "só sei que nada sei" empurra para uma amplitude qualquer, uma forma de estar tão simples... que se torna desamparada.

Não sei!

(Texto publicado originalmente a 5 de Setembro de 2007)

Ora... lá está!!

Foto de Amora Silvestre
(Publicado originalmente a 22 de Agosto de 2007)

"Fama, brilho, poder"

Mais uma crónica de opinião de uma senhora que é apresentadora de televisão e que - deve ser por isso - pode dar opiniões. Pronto, então, todos podemos.
Lá vou eu, outra vez, falar de Júlia Pinheiro. Em geral, ignoro-a. Não vale a pena ler o que ela escreve. Mas na sexta-feira passada, a crónica que ela escreve no 24 Horas veio bater-me em cheio nas lentes dos óculos... que não tenho.

Júlia escreveu sobre o "escândalo" de o filho de Al Gore ser toxicodependente; do "escândalo" da mulher do presidente Francês, Cecile Sarcozy, ser muito "independente" e não ligar patavina à política... nem foi votar no marido na segunda volta das eleições; do "escândalo" da morte, em Londres, do trineto (eheheheheheheheh, desculpem) de Gottefried von Bismark ter aparecido morto em casa.
E termina este relambório de "escândalos", escrevendo... e cito "O mundo olha e regozija-se. A desgraça dos poderosos é sempre um bálsamo."

Oh por favor!!! Que mundo é que se regozija com desgraças que são, claramente, privadas e particulares??? Sim, todo o mundo já ouviu falar dos nomes mencionados por Júlia, o que significa que são pessoas conhecidas. Mas acima de tudo, são pessoas. Seres humanos normais (espero que também tão fora do normal como qualquer um de nós). Um pai de família tem um filho que é toxicodependente. O mundo regozija-se por ser o filho de Al Gore? Acima de tudo, esta crónica de Júlia Pinheiro presume de má fé! Nem todo o mundo se regozija com as desgraças que acontecem às pessoas conhecidas!

Credo! Com que olhos esta mulher vê "o mundo"? Ou será apenas "o mundo dela" que vê as situações assim?
Quem se regozija com a toxicodependência?

Bom, se a mulher do presidente Francês não liga nenhuma à política... isso é lá com ela. E com ele. E com as regras do protocolo que, eu, pessoalmente, me recuso a seguir. As da boa educação e do respeito pelos outros, sim. Cecile Sarcozy é "independente"!!! Quer dizer que não anda agarrada às calças do marido, como é suposto fazerem as mulheres dos Presidentes.
Olha que chatice para a paz mundial (como dizem todas as Miss Universo)!!!

Já para não falar no regozijo mundial pela morte do trineto (ehehehehe, desculpem) de qjwyethvdyve ... cof cof... perdão Gottefried Von Bismark. Este senhor foi um dos responsáveis pela Primeira Grande Guerra. Agora, o trineto apareceu morto, em casa. É o regozijo mundial!!! Só pode!!

(Texto publicado originalmente a 7 de Julho de 2007)

O radar

Tenho um colega aqui no trabalho que parece um radar!
Não vejo nada de mal nos radares radares. Este radar, chateia.

É daquele tipo de homens que vira a cabeça para trás, para olhar para as mulheres, de cima a baixo, em pormenor, e fica com um olhar, tipo esfomeadinho!
Pode pensar-se que é natural um homem olhar para uma mulher bonita. Até aqui eu vou, até porque as mulheres também olham para os homens giros ;o)
Este olha para TODAS assim, desta maneira... parece parvinho!

Bom, entendo melhor que o mundo feminino e o masculino são mesmo diferentes, quando falo nisto a vários homens. Uns consideram este tipo de olhar tal como eu - ressabiado e malcriado, desrespeitoso. Outros, desculpam-no... coitadinho!!!
Mas coitadinho, é coisa que este tipo não é, acreditem.

Caramba, o homem é casado! Porque é que não vai para casa e fica a olhar assim para a mulher até lhe caírem as pestanas? 

(Texto publicado originalmente a 16 de Junho de 2007)

Como ganhar dinheiro...

Parece um daqueles anúncios, do tipo "trabalhe em casa, em part-time e ganhe XYZ"!!! Mas não.

Segundo o "Vidas" do Correio da Manhã de 9 de Junho, certas caras conhecidas ganham uns bons balúrdios para dar a cara em "eventos sociais". Eu bem digo, ser-se figura pública é uma coisa, ser-se conhecido é outra.

Vamos a "trocos", querem ver?

Raquel Henriques ganha 300 Euros, para aparecer em "eventos sociais".

Cinha Jardim ganha entre 500 a 750 Euros.



"Pimpinha" cobra 1000 Euros (é mais cara que a mãe!)

Subindo a parada, estas três cobram 2000 Euros!!!


Rita Pereira




Sónia Araújo




Merche Romero



Subindo mais ainda:



Jorge Gabriel e Diana Chaves cobram 2500 Euros!! 


Ricardo Pereira leva uns poucos 3000 Euros, para "aparecer"...


Por 3500 Euros, esta menina vai às "festas"...


Soraia Chaves



E, no topo do topo...


Por 25 000 Euros, pode receber numa festa esta beleza, que dispensa apresentações:

E ainda, por 20 000 Euros, este rapaz aparece: Rogério Samora.
Isto, dizia o Correio da Manhã... fora o resto que, por outros interesses, nem sequer são mencionados no jornal!!!

(Publicado originalmente a 9 de Junho de 2007)



Ai... certos homens...

Está uma mulher a beber o seu cafézinho...
Chega um homem que a mulher conhece... ó... de gingeira ... a contar à "malta do café" que passou um feriado óptimo e tal e foi até ali, e acolá com a mulher e os filhos e tal...

Pronto, um homem de família.

Ai, dá mesmo vontade de dizer... "olha lá, não foi aí que me levaste quando tu e eu estávamos a ter um caso?"

(Texto publicado originalmente a 8 de Junho de 2007)

Who knows our lifelines?

One time to know that it's real
One time to know how it feels
That's all
One call - your voice on the phone
One place - a moment alone
That's all

What do you see?
What do you know?
What are the signs?
What do I do?
Just follow your lifelines through
What do you hate? What then?
What do we do? What do you say?
Don't throw your lifelines away
Don't throw your lifelines away

One time - just once in my life
One time- to know it can happen twice
One shot of a clear blue sky
One look - I see no reasons why you can't
One chance to be back
To the point where everything starts
Once chance to keep it together
Things fall apart
Once I make us believe it's true

What do we see?
Where do we go?
What are the signs?
How do we grow?
By letting your lifelines show
What if we do? What up to now?
What do you say?
How do I know?
Don't let your lifeline go
Don't let your lifeline go
Don't let your lifeline go


Lifelines A-Ha



"We are wonderfully imperfect" - Dove Pro Age

A Campanha Pro-Age da Dove

Wendy - 54 anos
Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket

Diana - 54 anos
Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket

Mirenette - 54 anos
Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket

Esta mulher, Mary, foi a escolhida para o grande outdoor da Dove, colocado em Times Square. Uma belíssima avó de 64 anos!!! Nua!

Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket


O anúncio que a Dove não pôde passar na televisão ...

(Publicado a 29 de Maio de 2007)

Há boquinhas que ... melhor caladas!

Foto: Revista Hola de 30 de Maio- 2007
Declarações de Tasha Vasconcelos: "Não pensei em adoptar crianças. Isso deixo para Madonna e Angelina Jolie, por agora".

Tasha Vasconcelos. Sabem quem é?
Ora, como eu leio a Hola há anos, lá vou acompanhando os conhecidos que emprestam a cara, para seu usufruto mais tarde (ficam a achar-se "famosos"); claro que também acompanhei esta rapariga que, dizem, foi um dos engates fáceis do Príncipe Alberto do Mónaco. Como o pai é Português - lá está, Vasconcelos - Tasha, que dizem que é "modelo", foi entrevistada pelo Herman aqui há uns anos.

Bom, mais uma vez, quem é que esta mulher pensa que é para se "auto-comparar" a Angelina Jolie ou a Madonna?
Sei lá, aqui nesta entrevista podia dizer:"adopção, por agora, vou deixar isso para os milhões de casais que o fazem, pelo mundo inteiro". Mas não, ela tinha de usar nomes de pessoas realmente famosas - pelo seu talento, obviamente - para se "auto-comparar".
E lá há comparação ó Tasha?

A inveja é lixada, não é?
O que tu corres atrás do Príncipe Alberto, filha! Sim, o mesmo que foi acusado pela modelo Karen Mulder de a ter violado!
Se isto é verdade ou não, não sei, mas que Karen Mulder acabou por ser "internada" com uma depressão e depois desapareceu de "circulação", lá isso foi.
Porque será? Uma das mulheres mais bonitas e elegantes do mundo da moda! Sou suspeita, porque Karen Mulder sempre foi a minha modelo favorita!

Tasha, filha, vê lá se não te internam com uma depressão também. Por isso, é bom que continues a dar este tipo de entrevistas e a dizer bem (muito bem!) do Príncipe mais mulherengo que por aí há - o do Mónaco.

Já estou como diz o Bruno pela Super Bock:
Vamos pó perfeito? Vamos pó perfeito. Onde é que o perfeito? É aqui. Ó pra ela aqui. Perfeita!!


Queres mais Tasha? Queres?
Ó! Perfeitas!
(Dispensam-se legendas e a consulta de folhetos informativos...)

(Texto publicado originalmente a 29 de Maio de 2007)


Ela acha que merece...

Hoje, de manhã, bem cedo, apanhei uma conversa que me ficou no ouvido.
Um homem ia a falar ao telemóvel, claramente embriagado. Ouvia perfeitamente uma voz feminina do outro lado.
Tentando não utilizar o Português vernáculo utilizado pelo "ébrio cavalheiro", dizia ele, com a voz toda entaramelada:
- Vai prá p... da tua mãe.
Depois a voz dela do outro lado.
E ele, de novo:
- Mama aqui no meu c...
E ela respondia, de novo. Serena a voz dela. O homem seguiu caminho e deixei de ouvir.

Fiquei a pensar com os meus botões (ou com fecho éclair das minhas calças de ganga), o que sente uma pessoa ao ser alvo de tamanha agressividade?
Esta mulher, ao ouvir tanta agressividade, achará que merece ter, na sua vida, um homem assim?
Deve achar. Caso contrário, ... a porta de entrada na nossa vida é a mesma porta de saída.
Se há coisa que merecemos é alguém que nos ame e que nos trate bem.
Alcóolatras... que se tratem! E nada de peninha com este tipo de comportamento, porque cada um tem a opção de se tratar. Isto, se quiser, claro! Se não quiser... lá está a porta de saída! As pessoas que se relacionam com um/uma alcóolatra não merecem, de todo, ser tratadas assim!

(Texto publicado originalmente a 28 de Maio de 2007)

O Príncipe "assassino"

Ai que vida esta!
Agora, diz-se por aí nalguns meios de comunicação social - neste caso escrita, porque li - que o Príncipe Carlos de Inglaterra está a tentar "matar" a mulher, Camilla!!
Isto faz capa de uma revista Portuguesa!!!!!!

Pois parece que Carlos de Inglaterra, perante a doença de Camilla - Duquesa de Cornualha - optou por escolher para tratamento da mulher ... essa coisa criminosa que é ... a HOMEOPATIA!!!!
Credo!!!
Com médicos - QUE NINGUÉM DEVE QUESTIONAR EM ALGUMA CIRCUNSTÂNCIA - a considerar que a Duquesa deve fazer quimioterapia, depois de ter feito uma histerectomia, o Príncipe Carlos tem a LUCIDEZ de percorrer outros caminhos, consultar outras opiniões, em vez de ir pela opção mais à mão e encher a mulher de químicos de alta toxicidade!

Verificar outras opções alguma vez fez mal a alguém?
Qual é a posição actual da Organização Mundial de Saúde perante a Homeopatia, sabem?
Sabem, por exemplo, que a OMS considera a Arte de Desenvolvimento Humano de origem Japonesa chamada "Reiki", uma forma terápica?
Pois é!
Que um Príncipe Europeu de grande relevância tenha sugerido e investigado outros tratamentos para o cancro, que não seja o dito "convencional" parece incomodar muita gente, ao ponto de aparecer em revistas como querendo "matar" a mulher...

Isto envolve "meandros" nos quais nem quero imaginar: o mundo poderoso que existe nos profissionais da área da saúde...
Carlos quer que a mulher seja tratada usando a Homeopatia, que é comparticipada em alguns países europeus. Dizem ter ido buscar um conjunto de Homeopatas Indianos !
O Príncipe quer matar a mulher? Ou, se tudo correr como penso, se Camilla se tratar holisticamente, corpo, mente e espírito, assim que ela sarar completamente, um caso destes coloca - mais uma vez em causa - a medicina convencional como sendo A ÚNICA? Isto mexe com quê? Hum?

Infelizmente, a medicina convencional não tem verdade absoluta. Se a tivesse, hoje em dia, com a evolução da ciência que a medicina convencional pratica, estava toda a gente curada no planeta. Portanto... algo não está bem...

Melhor seria para todos se houvesse união e colaboração no tratamento de cada paciente. Se houvesse nos hospitais ocidentais, tal como há nos hospitais chineses: médicos de Medicina Tradicional Chinesa e médicos convencionais. Depois, em estreita colaboração com o paciente, trata-se dele. Tudo se completa. O paciente escolhe qual o tratamento que quer, de acordo com o que lhe é apresentado.
Enquanto não mudar a mentalidade e deixarmos de encarar a medicina convencional e os fármacos como "os salvadores ÚNICOS" de todos os doentes, não haverá mais pessoas saudáveis, mas sim cada vez mais doentes.

Saúde, Duquesa da Cornualha. Saúde total. O Príncipe Carlos tem razão.
Calma, muita tranquilidade, e lucidez num momento tão decisivo na vida de uma pessoa. Não ter pressa é fundamental. Sim, a mesma pressa que os médicos dizem que é preciso ter para curar um cancro - "quanto mais depressa melhor".
Eu diria, "quanto mais depressa for diagnosticado, melhor". Depois, o tratamento fica à escolha de cada paciente. Nenhum médico é dono nem da nossa cabeça, nem do nosso corpo. Isto digo eu que opto por me tratar com Homeopatia e já assinei um documento, perante uma médica convencional, responsabilizando-me pela minha decisão e escolha. Fui contra a médica. Assinei o documento, sem problemas. O resultado está à vista. Não quero entrar em detalhes, mas posso dizer que tomei a decisão certa. Porque estou curada. Só isso!

Não sou contra a medicina convencional. Sou a favor da cooperação e colaboração de todas as áreas da saúde. Sou a favor da boa formação de profissionais de saúde, de vários campos, de várias vertentes. Sou a favor da abertura, da experiência laboratorial que é a vida. Como passei por um diagnóstico de cancro, sei perfeitamente do que estou a falar.

Não pretendo generalizar. Mas que é preciso ter cada vez mais cuidado com os médicos a quem recorremos, lá isso é!
Pela nossa saúde!

(Texto publicado originalmente a 19 de Maio de 2007)

Boris morreu

Morreu Boris Yelstsin.
Ficou conhecido por ... beber demais, que se notava no rosto demasiado vermelho, e também por cometer falhas diplomáticas.
Morreu, portanto, um homem Russo "politicamente incorrecto".

Mas foi durante a sua presidência que houve menos guerra no mundo ( o que se passou na Rússia durante o mandato de Yeltsin não diz respeito aos outros países).
Como cidadã do mundo, durante o "período Yeltsin", o mundo esteve muito menos conflituoso.
Isto, também, porque, do outro lado da antiga Guerra Fria, estava Bill Clinton - o Infiel, o Mulherengo, o Saxofonista.

Juntos, Yeltsin e Clinton protagonizaram aquilo que muitos chamam "a maior gaffe diplomática de sempre" - durante a visita de Yeltsin aos EUA, em 1995, ambos os Presidentes tiveram um ataque de riso, que os levou às lágrimas.

E assim, vivia o planeta, com mais paz e mais riso.
Mas não. Não pode ser. Políticos têm de ser sérios (devem ser sérios - sinónimo de não rir; e parece que também podem ser sérios - sinónimo de honestos e antónimo de corrupto).
O que aqui interessou mesmo o mundo inteiro é que dois líderes políticos riram à gargalhada, durante um acto oficial.

Oh que tragédia mundial! Dois "Homens Poderosos" a rir, quem sabe com uns copos a mais... quem sabe que comentário gerou aquele riso.

A mim ficou-me uma imagem saudável dos ataques de riso que tenho quando algo me diverte, que também me levam às lágrimas. Pois os políticos não se podem divertir, muito menos em actos oficiais.
E que bem que me souber ver esta imagem. Recordá-la, ser apontada como "mais uma das gaffes de Yeltsin" e eu a rir, agradecida por ter acontecido.

Foto de Rick Wilking (Agência Reuters)

Fez-me lembrar a razão de todos os crimes, em "O Nome da Rosa" de Umberto Eco: o riso.
O assassino: um homem cego, amargo, azedo, que achava que o grande mal estava no riso.

A mesma personagem parece existir em muita gente pelo mundo. Em todos os que não conseguem ver a inocência e a pureza deste riso, a leveza que esta atitude teve. Há muitos cegos, azedos e amargos pelo planeta: os mesmo que continuam a chamar a esta atitude, que ficou - felizmente - gravada em fotografia, uma das maiores gaffes diplomáticas de sempre.


Afinal, o riso tem muito que se lhe diga.
Afinal, Umberto Eco abordou uma questão mais profunda do que parece.

Sempre gostei desta imagem.
Gosto de homens e mulheres que falham, que cometem gaffes, que se enganam.
São humanos.
Morreu Boris Yeltsin e fica a mensagem: riam - faz melhor ao planeta e ao ser humano.

(Texto publicado originalmente a 25 de Abril de 2007)

Os (queriam-pois- queriam-ser) skinheads (da caca!!!)


Isto é inacreditável!!!!
Já ouviram falar do famoso cartaz que um partido radical colocou no Marquês de Pombal, claro! Um partido cujo nome nem me lembro, tal é a sua insignificância!!!

Nesse cartaz, o tal partido demonstra a sua xenofobia, "enviando para casa" os que não são Portugueses - emigrantes, de outros países, que moram cá.
Existe um pseudo-fórum deles, ao qual também não vou fazer publicidade, que é completamente ridículo. É incrível como a intolerância, a xenofobia, a ignorância e o ridículo chegam a este extremo.

Acontece que os Gato Fedorento, às suas próprias custas, mandaram colocar ao lado do outro cartaz, também no Marquês, este outdoor a satirizar a situação (já de si tão absurda).
Querem saber que mais?

Inscrevi-me no tal "Fórum", cujo nome nem sequer vou divulgar, e logo ao início, aparecem as regras para o seu bom funcionamento, que todos os utilizadores devem aceitar. Ora, eis o ponto 1:

"1. Não deve colocar mensagens abusivas, obscenas, insultuosas, ameaçadoras, ou qualquer outro material que possa ferir a susceptibilidade de terceiros ou que possa indiciar a prática de um crime. Não serão tolerados actos ou atitudes que possam colocar em causa o normal e bom funcionamento do mesmo."

Nas mensagens, apanhei esta, recheada de ameaças:

"Creio que terei de fazer um destes dias uma visita à hora de saída do colégio [...] onde um destes burgueses esquerdistas tem os seus filhos a estudar. Nuno NS"

"Acidentes acontecem... e para mais sendo fedorentos... é muito fácil dar com eles. Desperta88"


"Caso eles não tenham moderação no que dizem, poderão vir a ter consequências. Cidadão oculto"

"A minha vontade era vandalizar a tromba a esses quatro anormais... antí25/4"

E que tal? Coerência, heim?
Que bestas estes tipos deste partido radical!!!
Completamente contra o ponto 1 do bom funcionamento deste pseudo-fórum, surgem ameaças em catadupa que, recordo, são ilegais e indiciam a prática de crimes!!!

Agora, pergunto: não há ninguém que ponha estes radicais da caca na prisão, por ameaça a terceiros??? E, já agora, fechar o pseudo-fórum que mete nojo!!!

Ah! Mas esperem lá... vamos reler isto:
"1. Não deve colocar mensagens abusivas, obscenas, insultuosas, ameaçadoras, ou qualquer outro material que possa ferir a susceptibilidade de terceiros ou que possa indiciar a prática de um crime. Não serão tolerados actos ou atitudes que possam colocar em causa o normal e bom funcionamento do mesmo."

Ah, ok ok!!! Não são tolerados actos ou atitudes que possam colocar em causa o normal e bom funcionamento do "mesmo"... ahhhh ... referem-se ao crime. Bolas, custou a perceber!!!
Estes skinheads da tanga bem tentam ser inteligentes. Pá, temos pena. Não dá!!

(Publicado a 10 de Abril de 2007)

the missing tail



Foto de Amora Silvestre

(Foto publicada originalmente a 1 de Abril de 2007)

hoje, adormeci...






... e foi por isso que todo o meu dia foi diferente.
Os locais foram os mesmos, as pessoas... as mesmas, mas tudo foi tão diferente.








sem pressas, sem correrias.
porém, tudo em movimento.
vi solidões sentadas em bancos amarelos
vi como se pode passar debaixo da ponte e não ficar










vi companhia
sem correrias, nem pressas







... em movimento constante, o meu dia, hoje, parou.
Fotografias de Amora Silvestre

(Publicado originalmente a 20 de Março de 2007)

intimidade

Gosto muito de estar com alguém, em silêncio.
O silêncio prova a maior intimidade.
Não é preciso estarmos em conversa constante.
Nas alturas em que não conhecemos bem a outra pessoa, torna-se quase imperativa a necessidade de dizermos algo.
- Está bom o dia, hoje!
- Já estávamos a precisar. Tem chovido tanto!

Para mim, mais vale simplesmente estar, e ficarmos assim, sem uma palavra. Talvez um "bom dia", como desejo expresso de que corra tudo bem, naquelas 24 horas seguintes.
Descobri que o silêncio é uma forma muito agradável de se estar com outra pessoa, em confiança.
Se não estivermos em confiança, a não-palavra torna-se desconfortável.
Daí a incontornável tagarelice, quando o que apetece mesmo é não usar as palavras.
Talvez seja uma questão social: é obrigatório tagarelar.

Estar em silêncio não é sinónimo de antipatia, ou distância, ou de falta de sociabilidade.
Acalento o silêncio, cada vez mais.

[Foto de Amora Silvestre]

(Publicado originalmente a 13 de Março de 2007)

O que é que vocês têm a ver connosco?? Hein?

Sim, afinal, o que é que um país como os Estados Unidos, que existe há cerca de 200 anos, ainda é uma criança;

que fez um completo genocídio ao matar e ao manter ainda hoje, em reservas, os verdadeiros norte-americanos indígenas;

um dos únicos países ditos "civilizados" que assassina os seus presidentes eleitos e alguém sai impune;

que forja resultados de eleições presidenciais (e nenhum outro país faz nada quanto a isso);

que tem uma taxa de analfabetismo brutal;

que resultou historicamente numa viagem dos indigentes vindos das ilhas Britânicas (a quem gentilmente quiseram chamar pioneiros, a bordo do Mayflower);

que é uma mistura rácica, nem sequer tem identidade própria;

que se intromete no que não lhe diz respeito... enfim, o que é que estes gajos têm a dizer sobre Portugal?

O nosso Governo não gostou destes "estudos" norte-americanos e eu também não. Puxa! Finalmente! Quero ver o Governo Português a fazer um comunicado oficial a dizer isso mesmo. Já agora, a Base das Lages é nossa, certo? Tragam-na de volta!

Cuidadinho com a China, o Japão e as Coreias. Só a China é o país mais poderoso do mundo!!!!

[Artigo retirado do Jornal "Metro" de 8 de Março de 2007]
Pena que o artigo seja mesmo pequeno!!!

(Publicado a 11 de Março de 2007)

...perdas...


O que vamos perdendo na vida?
O que faz com que certas perdas sejam tão sentidas e outras não?
Quantas dores de perdas carregamos e não nos apercebemos?
Desde que comecei a interessar-me pelas áreas das ciências humanas, desde o meu primeiro contacto com psicoterapeutas, surgiu sempre esta pergunta: o que é que perdeu? Quem perdeu?

Tantas voltas esta cabeça deu até perceber quem é que tinha perdido: alguém que deixou uma marca de ausência e de dor que estava tão clara para os outros e para mim não.
Foram mais de dez anos até que veio a descoberta, o tal clique que surge inesperadamente. Ah! Entendi! És tu que me fazes falta!

Além desta perda, que era tão evidente para os profissionais de ciências humanas, carregava também o peso da culpa dessa perda. Aceitei, dentro de mim, que a culpa dessa perda era minha.
Disseram-me, de forma subreptícia e subtil. Era eu tão pequena! Tão pequena mesmo, que me pareceu óbvio que um acto meu, um acto de criança que deu em acidente - cuja pequena cicatriz carrego (coisa curiosa, está à vista e ninguém a vê, mas eu sei que está lá...) tenha sido a razão daquela perda. Um acto meu provocou, de forma indirecta, a morte de alguém que eu amava.
Duas dores numa só: a perda e a culpa dessa perda!
E o que acontece, afinal, quando uma dor de perda é tão forte, que os que trabalham diariamente com as emoções humanas vêem, e nós nem temos noção da importância que isso tem, ao longo da nossa vida, nos nossos pensamentos, nos nossos actos, nas nossas emoções? Que consequências traz isso para uma personalidade em formação?

"Bad girl!"
"You are a bad girl"

Até ao momento em que decidimos, de forma consciente, não aceitar a responsabilidade dessa perda e deixamos cair a culpa.
Há tantas coisas que acontecem, de facto, que magoam, e que não são culpa de ninguém! Acontecem, porque sim.
Da mesma maneira, caem as folhas no Outono, põe-se o sol ao entardecer, o mar tem ondas todas diferentes ... esse é o fluxo natural da vida. Da natureza. Quem é culpado disso?

É uma maldade fazer crer a alguém que é a culpada de algo que aconteceu, que doeu e cuja responsabilidade é nula! Principalmente se esse alguém é uma criança, que já sofre a dor da perda, que nada fez para contribuir para essa perda, muito pelo contrário.
Culpá-la por isso é uma crueldade!



(Publicado originalmente a 3 de Março de 2007)