As conversas são como as cerejas

E eu gosto de ambas maduras.

Hoje, com uma parceria de conversa muito interessante, o tema foi parar à sexualidade. Sem qualquer tipo de julgamento ou tabu.
O facto é que, pelos vistos, começa a haver - e cada vez mais - uma necessidade de se "entender" as disfunções sexuais.

A palavra "disfunção" leva-nos a pensar em disfunção eréctil ou em frigidez. Mas não é disso que falo.

Quero falar abertamente sobre a sexualidade em casal, ou seja, aliada à emocionalidade. Muito se fala sobre o tema, mas ainda fico admirada quando tomo conhecimento que há casais em que não existe qualquer sexualidade, há anos. Outras pessoas comentam: bom, se ambos se sentem bem assim...

Num meio emocional, em que duas pessoas estão juntas e se amam, não encontro uma única razão para que o casal não tenha sexo. Apenas se justifica, segundo o que percebi hoje, através de alguma disfunção por parte de um dos membros do casal.
O meu raciocínio é este: a sexualidade faz parte da vida, tal como todos nós fazemos xixi e todos nós fazemos... sim cócó.

Nós, mulheres, também falamos sobre sexo. Como são as coisas com os nossos companheiros de vida. Todas as mulheres que conheço são mais felizes, mais completas, quando a sexualidade está viva no casal. Naturalmente, entendo.

Mais, fiquei também a saber que quando um dos membros do casal tem alguma disfunção (que pode ser emocional, de educação ou aculturação e - repito - não estou a falar de disfunções físicas), o outro membro do casal sofre da mesma disfunção, por associação.

Acho isto extremamente interessante, porque sinto realmente que a nossa vida é mais completa, quando temos uma vida sexual saudável.
Saudável quer dizer, para mim, activa. Cada casal tem a sua "personalidade sexual", portanto não existe uma norma para todos os casais; cada um sente-se bem à sua maneira. Usando as técnicas que muito bem lhes apetecer, desde que os dois se sintam completos e bem com isso.

Imaginemos esta situação - que acho extremamente caricata: a mulher de um casal queixa-se de que o marido não lhe dá atenção; faz um strip tease, só para ele. Ele, naturalmente, fica excitado sexualmente e ... em vez de viver o momento, vai para o computador tratar das "coisas da empresa"...

Mais um caso: neste casal, a mulher gosta de ver filmes pornográficos. Vê-os com o marido; ela fica excitadíssima e ele ... vai masturbar-se para a casa de banho...

Outro, em que a mulher está em casa e o marido chega com as compras, ela abre os sacos, para arrumar as coisas e encontra lá dentro, um saco mais pequeno com um preservativo usado. O que pensa ela? Ele tem outra? O que é que está aqui a fazer um preservativo usado? A resposta do marido foi: comprei uma caixa de preservativos para experimentar masturbar-me com um.

Enfim, é deste tipo de disfunções que falo.
Com todas as letras e sem falsos pudores.

Pergunto-me frequentemente, o que se passa com os homens das mulheres que descrevi? Existirá alguma conversa entre o casal para serem generosos um com o outro? Haverá algum entendimento no meio daquilo tudo? Bom, se os casais se sentem bem assim, então não há problema. Mas não acredito que estas mulheres se tenham sentido bem nestas situações. São todas tão ... disfuncionais.

Uma sexualidade activa num casal representa para mim uma profunda generosidade. É importante dizer que estou a falar de situações em que supostamente existe uma vida emocional entre os dois membros do casal, não são aventuras de uma noite só.

A sexualidade será complexa? Para mim, não. É só resolvê-la. E o membro do casal que tem os problemas (ou as disfunções) que as resolva, para bem do casal, e da sua própria sanidade - emocional e mental.

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